29

ago
2019

Onde começa o despertar?

Posted By : Cecilia/ 217 0
Comecei a viver realmente há alguns meses. Recebi a missão de contar um pouco sobre o que tenho aprendido nesses meus 3 anos de VaiViver e um bocado de anos em viagens. Eu não sou muito diferente de você, gosto de dormir com barulho de chuva, fico encantada com o pôr do sol, não tenho um QI acima da média, ainda moro com os meus pais aos 24 anos e sou mais lenta do que o normal para entender piadas. Assim como você, eu acho que eu era uma criança brilhante, na verdade, todas as crianças nascem geniais e os seus pais que não são capazes de identificar isso por que eles foram moldados, podados a vida toda, bombardeados com crenças limitantes sobre onde estavam e onde deveriam chegar, sobre quem eram e como deveriam ser.  A culpa não é deles se você não conseguiu desenvolver a sua genialidade, eles também podem ter tido isso tirado deles.
A verdade é que nós nos tornamos adultos sem termos crescido, sem termos desenvolvido nosso lado humano, sentimental e criativo como deveria ter sido, então chegamos na idade adulta e precisamos enfrentar desafios que demandam autoconhecimento, inteligência emocional e meditação, mas isso jamais foi ensinado, afinal de contas, com tanta coisa acontecendo, você deve focar no necessário para entrar numa universidade quadrada, conseguir um emprego mais quadrado ainda, que daqui uns anos será substituído pela mais eficiente das máquinas quadradas, os computadores.  Estamos perdendo o senso crítico, se é que ele ainda existe. Cada dia se torna mais confuso conseguir discernir o que é certo, qual a nossa função social e o que realmente queremos fazer. Estamos buscando respostas na TV enquanto elas estão debaixo do nosso nariz, a algumas horas de meditação de distância.
Não sei muito bem quando a minha verdadeira jornada começou e acho que ela pode ter vários inícios e fins em uma só vida, mas foi mais ou menos assim: em janeiro de 2018, eu e a Mayu estávamos trabalhando em Minas Gerais, em um ritmo frenético, num projeto que até hoje não entendemos por que começamos. Em menos de 40 dias nos enfezamos, pegamos o carro e estávamos voltando para São Paulo quando vimos uma placa “São Thomé das Letras”. Já tínhamos ouvido várias pérolas sobre a cidade, que ela era mística, cheia de bruxas e pessoas que viam ETs. Se existem ETs ou gnomos, eu não sei, mas não tenho dúvidas de que ela é mística.
Meu primeiro passo para a consciência, eu vivi em São Thomé, na cachoeira de Antares, já contei essa experiência em alguns posts no instagram e não cabe repetir aqui, o que sempre deixo bem claro é que nunca usei drogas, o que eu senti foi um verdadeiro encontro com o todo, uma explosão de sentimentos e informações que nunca tinha tido acesso antes e que estavam dentro de mim, aguardando para serem afloradas, numa simples tarde de segunda-feira, quando não estava esperando nada. (OBS: É necessário fazer uma pequena trilha para chegar a Cachoeira de Antares, além dela ser bem mais distante da cidade, de forma que os roteiros regulares para a cidade nunca vão até ela, mas em nossas viagens, nós fazemos questão de chegar até ela, pois queremos que você chegue o mais próximo possível de sentir as coisas incríveis que sentimos naquele lugar!).
Meu segundo passo consciente, recebi em Aiuruoca, quando conhecemos o Vale do Matutu. O Vale é um paraíso perdido em Minas, graças a sua comunidade local que o protege do turismo exploratório com veemência. No Vale, relembrei a minha alma que a simplicidade é a mãe de todos os bons sentimentos, que não há nada mais sagrado do que comer do que se planta e que é um privilégio poder desfrutar de paz e silêncio enquanto o mundo inteiro berra sobre dinheiro, agilidade e eficiência. Muitos olham as pessoas do Matutu como fechadas e emburradas com turistas, mas na minha opinião, a simplicidade que vi lá deveria ser passada para o mundo, até nossa última geração, afinal de contas, o que realmente importa?
No mês passado, conheci a Chapada dos Veadeiros e ainda não tenho como explicar quantos passos conscientes existiram em minha vida desde julho. Não tive tempo ainda para entender tudo o que vivi lá e grande parte disso tem repercutido em todas as mudanças que tenho feito em minha vida (que não quero compartilhar ainda, pois não as compreendo bem para falar sobre isso).
O que posso garantir é que existem muitos “portais” mentais nesses lugares, uma vibração inocente que nos lembra de tudo aquilo que sabíamos quando éramos crianças, quando éramos geniais e a nossa criatividade nos permitia viajar mentalmente por todas as dimensões desse universo energético que está longe, além do espaço e tempo e, ao mesmo tempo, bem aqui dentro de nós.
Que delícia é estar em São Paulo, dentro de uma cafeteria escrevendo isso para vocês e sentindo todas as boas coisas que vivi, tendo a consciência de que estou em uma das maiores e mais corridas cidades do mundo e estou em paz comigo mesma, com o que estou me tornando e com o trabalho que eu e a Mayu estamos desenvolvendo nessa vida.
Ceci

Equipe VaiViver

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